A corrida pelo Governo de Goiás em 2026 já apresenta três caminhos bem definidos no cenário político estadual. De um lado, a base governista trabalha pela continuidade; de outro, a oposição se reorganiza; enquanto um terceiro campo busca espaço com discurso de renovação.
O vice-governador Daniel Vilela, do MDB, deve assumir o comando do Estado com o afastamento do atual governador Ronaldo Caiado e se posicionar como candidato natural à reeleição. Daniel conta com uma base política robusta, formada por prefeitos, deputados e lideranças regionais, além de um grupo competitivo na disputa ao Senado, com Gracinha Caiado, Alexandre Baldy, Vanderlan Cardoso e Zacarias Calil. Possui estrutura política consolidada, apoio da máquina administrativa e capilaridade no interior do estado. Tem pela frente o desafio de sustentar o discurso de continuidade em um cenário de mudanças e administrar eventuais desgastes naturais do grupo governista.
No campo da direita, o senador Wilder Morais, do PL, entra na disputa com o respaldo do bolsonarismo. A escolha de Ana Paula Rezende como vice agrega peso político e simbólico à chapa, enquanto o deputado federal Gustavo Gayer desponta como principal nome do partido para o Senado. Wilder conta com uma base ideológica consolidada, força nas redes sociais e discurso alinhado ao eleitorado conservador. Terá como desafio ampliar o diálogo além desse núcleo mais fiel e construir alianças que garantam competitividade em um eventual segundo turno.
Já o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB, trabalha para retornar ao comando do Palácio das Esmeraldas. Com quatro mandatos à frente do Estado, aposta na experiência e na capacidade de articulação para se viabilizar. As movimentações indicam tanto a possibilidade de candidatura própria quanto de composição com outros partidos, incluindo setores da esquerda, visando ampliar tempo de televisão e estrutura de campanha. Possui experiência administrativa, conhecimento da máquina pública e histórico de gestão. No entanto, enfrenta o desgaste natural de quem já governou por longo período e o desafio de reconstruir alianças políticas em um cenário diferente do passado.
O que se observa, neste momento, é um cenário competitivo e ainda em formação. Daniel Vilela representa a continuidade do modelo de gestão atual, Wilder Morais surge como alternativa da direita organizada, e Marconi Perillo aposta no retorno com base na experiência. A eleição de 2026 em Goiás tende a ser definida menos pelo peso dos nomes e mais pela capacidade de articulação, construção de alianças e leitura do sentimento do eleitor.
O cenário ainda está em formação, e antecipar resultados pode ser um erro. O que se vê, neste momento, é um jogo aberto, onde estratégia e posicionamento serão decisivos.
Em política, quem se antecipa demais erra — e quem articula melhor, costuma vencer.
Valdivino Azevedo (Divino Ajax)
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