A escolha do vice na chapa de Daniel Vilela deixou de ser assunto reservado e passou a ser um verdadeiro teste de força política dentro da base governista. Publicamente, o discurso é de cautela. Ninguém antecipa favoritos.
Nos bastidores, o cenário é outro: movimentação intensa, agendas estratégicas e demonstrações claras de poder. O próprio Governador Daniel Vilela já deu o tom da decisão: o vice precisa agregar politicamente e eleitoralmente. Traduzindo — não basta ser aliado, tem que ajudar a ganhar a eleição.
E é exatamente isso que está em jogo. José Mário Schreiner mostrou musculatura ao reunir mais de 100 prefeitos e representantes de sindicatos rurais em torno de seu nome, reforçando sua força no municipalismo e no agronegócio. Gustavo Mendanha voltou ao circuito, assumiu a presidência do PRD e tenta mostrar capilaridade fora de Aparecida, ampliando sua presença no interior.
Luiz do Carmo aposta no peso do segmento religioso para se consolidar dentro do PSD. Adriano da Rocha Lima joga na linha da gestão, se colocando como alguém que conhece por dentro o modelo que hoje sustenta o governo. E há ainda quem observe Bruno Peixoto com atenção: à frente da Assembleia, bem avaliado e com trânsito político, pode surgir como solução de consenso.
A disputa, portanto, não é apenas por espaço na chapa — é por relevância dentro do grupo político. Com definição prevista para os próximos meses, a tendência é de intensificação dessas movimentações. Cada agenda, cada reunião e cada gesto passam a ter peso estratégico. No fim, a escolha do vice dirá muito sobre o caminho que a base pretende seguir: equilíbrio político, força eleitoral ou capacidade de gestão.
E, neste momento, quem quiser estar na chapa precisa provar, e rápido, que tem mais do que discurso: tem voto e poder de articulação. Em política, quem articula melhor não apenas vence — constrói o poder, Valdivino Azevedo (Divino Ajax)
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