Rafaela Linconl Brito Nunes de Souza Lima, mais conhecida como AnarkoTrans, mulher preta transexual, aparecidense de 26 anos, MC, DJ, compositora e modelo. Leva através da música e da arte, sua voz, luta e sobrevivência, enfrentando o preconceito e quebrando as barreiras impostas pela sociedade.
Quando o assunto é a representatividade trans na mídia e no meio artístico, observa-se que aos poucos mulheres trans artistas vêm ganhando esse espaço. Para AnarkoTrans, essa representatividade é de grande importância para ela e para todas as mulheres transexuais e espera que através do seu trabalho possa alcançar e ser representada para outras transexuais, mas destaca que esse espaço ainda é pouco, comparando com o que elas merecem e precisam enquanto políticas públicas.
“Dentro de todas as áreas é importante ter pessoas trans, na universidade, trabalho... é claro que no meio artístico pessoas LGBTQIA+ em geral são mais aceitas, até porque é um espaço que a sociedade acredita que a nossa vivência é sempre voltada para o artístico, então isso é positivo, mas também há aquele espaço negativo, onde as pessoas acreditam que nossos corpos não deveriam estar ocupando as ruas, locais de trabalho, porque na verdade acontece muito essa confusão na cabeça das pessoas, do que é ser uma trans, uma drag queen, a vivência e o que é um espetáculo, as pessoas confundem a nossa vivência como se fosse um espetáculo, como se estivéssemos montadas cotidianamente”, destaca AnarkoTrans.
MERCADO DE TRABALHO
O mercado de trabalho no Brasil é um grande problema para travestis e transexuais, a não aceitação e a falta de oportunidades ainda é uma dificuldade enfrentada por muitas. Há lugares que contratam e disponibilizam vagas, mas a qualificação é solicitada, algo que muitas não possuíam pela falta de oportunidade, falta de acesso a educação, formação. Muitas travestis que foram expulsas de casa e não tiveram oportunidades de trabalho, busca sua sobrevivência através da prostituição.
Mesmo tendo acesso a educação, que foi no caso da AnarkoTrans, a própria instituição ainda não estava preparada para receber pessoas com sua corporalidade, “Ela cria forma mais de você desistir e evadir, ou seja, a evasão de pessoas trans nas universidades é falta de permanência de pessoas trans na universidade”.
Para Anarkotrans, há uma falta de construção de uma sociedade que esteja preparada para mudar com as especificidades dos corpos trans, que ainda são pessoas invisiabilizadas, “Então o que a gente pode fazer é mudar, fazer políticas públicas e garantir essas políticas para que isso mude de fato no Brasil, porque não tem mudado praticamente. Eu sempre falo muito do mercado de trabalho, pois é uma situação que me bate na porta atualmente, pra mim é a maior pauta com relação à população trans na atualidade, é o mercado de trabalho e sempre foi”, ressalta.
INSPIRAÇÃO
“Ter mulheres pretas e transexuais na mídia e na arte é muito importante, eu particularmente me sinto inspirada por outras artistas, outras travas pretas que me fizeram desde bem nova, ter um sonho e querer realizar esse sonho de me tornar uma artista travesti, uma artista preta, então isso é sobre representatividade”. AnarkoTrans se sentiu representada através de travestis pretas que tinha um espaço na mídia em sua época, como Lacraia, Jorge Lafond e Vera Verão, são referências da representatividade trans na vida de AnarkoTrans. Hoje, ela destaca outros grandes novos nomes do meio artístico que fazem parte de sua inspiração, como Mc Linn da Quebrada, Jup do Bairro e Monna Brutal, entre outras travestis pretas que trazem sua arte e voz como forma de resistir.
CARREIRA
Primeiro single produzido pela cantora foi “Ser preta é babado”, hoje retirado das plataformas, pois será lançado um novo álbum com novas músicas. Seu segundo single traz a música “Shade”, feat com Pietra Pedrosa, que fala do poder do espaço ocupado por trans e pessoas pretas.
A música “Farpa feminina” retrata na letra versos daquilo que travestis e transexuais enfrentam, em um dos trechos, Anarko diz: “o corpo que difere do que o padrão me ensina, me programaram, mas eu aprendi a escolher, tentam barrar porque a liberdade contamina, querem te encaixotar porque ninguém pode saber”.
AnarkoTrans está trabalhando em seu novo álbum, “Afro transversal”, que irá tratar o entrelaço que tenha acontecido nas cidades durante a pandemia, principalmente para a população trans e população preta, em relação a diversos fatores que colocam mais ainda essas populações na sociedade. O álbum contará com nove músicas que em breve estará disponível em todas as plataformas digitais.“Que a gente consiga transformar mais pessoas que são conservadoras e que tenha pensamentos negativos sobre nós, quem somos, eu falo nós não somente pessoas trans, mas também que divergem da norma em geral, pessoas pretas, lgbtqia+, pessoas marginais, em geral”, destaca a artista.
Para conhecer o trabalho de AnarkoTrans basta você acessar as plataformas digitais, como seu canal no Youtube “Anarkotrans”, no Spotify, Deezer e Itunes, e seu twitter e instagram @anarkotrans.
Cantoras trans nacionais para você ouvir e conhecer o trabalho:
- Liniker
- Majur
- Mc Linn da Quebrada
- Bixarte
- Urias
- Pepita
- Jup do Bairro
- Candy Mel
- As Baías e a Cozinha Mineira (trio formado por duas mulheres transexuais, Raquel Virgínia e Assucena e um homem, Rafael Acerbi)
- Mc Xuxu
- Danna Lisboa
- Rosa Luz
- Mc Dellacroix
- Monna Brutal
- Danny Bond
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