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Presos do regime fechado do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, antigo CEPAIGO, movimentam o forte comércio às margens do presídio através da compra de utensílios por parte de familiares, entregues na carceragem durante visitas. Camisas, bermudas, tanto para internos, quanto para visitantes, são comercializados a poucos metros da entrada principal da penitenciária.
Conforme apuramos e presenciamos na tarde desta terça-feira (27), materiais de limpeza e higiene pessoal, além de pães, bolachas, sucos e refrigerantes, são os itens mais procurados pelos familiares, que contam com carrinhos de compra idênticos aos de supermercados, que adentram na primeira etapa do Complexo Prisional; local que abriga presos que cometeram crimes graves, como Thiago Henrique Gomes da Rocha, condenado a mais de 700 anos de prisão por matar mulheres entre os anos de 2011 e 2014; Maurício Sampaio, condenado por mandar matar o radialista Valério Luiz em 2012; Felipe Gabriel Jardim Gonçalves, autor dos disparos que ceifaram a vida do policial civil João Rosário Leão, em 2022, entre outros nomes que ganharam páginas policiais do Estado de Goiás.

Conhecida popularmente como “Cobal” no Estado de Goiás e “Jumbo” no Estado de São Paulo, é a sacola de alimentos adquirida por familiares e entregues aos presos do regime fechado, como forma de completar o que já é oferecido pelo Estado, considerado pela maioria dos reeducandos como insuficiente. A situação é comum e faz parte da rotina de familiares dos 5.469 presos do regime fechado de Aparecida de Goiânia, destacando que a população carcerária de Goiás está em torno de 28.400.
Conversando com uma das mães à espera para adentrar as instalações do presídio para visitar seu filho, condenado pelo crime de latrocínio, roubo seguido de morte, ela relatou: “os produtos aqui na porta são bem mais caros que em supermercados, alguns chegam a ser o dobro. Porém, por eu estar sozinha e não ter carro, prefiro comprar aqui para evitar carregar peso dentro do ônibus. Não é uma rotina que eu queria na vida, mas, não posso abandonar meu filho, eu que coloquei no mundo”.
Já a dona de casa do setor Rosa dos Ventos, que pediu para não ser identificada, parte dos produtos comprados e entregues aos presos, viram moeda de troca dentro das celas, seja para pagamentos de favores ou abastecer os famosos “chefes” de cela, ou seja, presos mais antigos que exercem papel de liderança sob os demais: “sempre é essa peleja, às vezes nem tenho mistura dentro de casa para os demais filhos, mas tenho que trazer a tal da Cobal para meu filho, preso por tráfico de drogas. Tenho medo que ele seja maltratado caso eu não traga. Mas, os preços aqui na porta são bem mais caros, prefiro comprar no atacadão perto da BR 153”.
Em poucas horas infiltrado em meio aos familiares, notamos que são pessoas de várias faixas etárias que visitam as instalações do presídio de forma frequente; idosos, jovens entre 23 e 30 anos, além de crianças não cadastradas que aguardam sentadas debaixo de árvores nos canteiros centrais das vias de acesso, com os olhos sempre atentos as “gretas” da portaria que leva até a carceragem de seus familiares.

Polícia Penal
Entramos em contato com a Diretoria-Geral de Polícia Penal de Goiás, que nos informou que para visitantes entrarem na parte interna do presídio, principalmente com utensílios de limpeza, higiene pessoal e vestimentas, é preciso o cumprimento de rigorosas normas disponíveis em canais digitais da instituição, com objetivo de manter a segurança em todo complexo.
Durante está edição foram enviados documentos e um vídeo explicando como funciona os procedimentos de praxe do sistema prisional em Goiás, destacando que a respeito dos uniformes; aproximadamente 150 custodiados que executam atividades na Seção Industrial, localizada no Complexo Prisional Policial Penal Daniela Cruvinel, proporcionou a confecção de 4.500 kits de uniformes. Os itens serão distribuídos entre a população carcerária que está cumprindo pena nas 85 Unidades de Polícia Penal.
Cada kit é composto por uma calça, duas camisetas e duas bermudas. “A confecção dos produtos visa assegurar o suporte material previsto pela Lei de Execução Penal. A elaboração das peças favorece a formação profissional dos detentos, além de proporcionar renda e aprendizado técnico aos participantes", destacou a diretoria.
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