Suposta revenda de marmitas por usuários do Restaurante do Bem, será investigada pela Organização das Voluntárias de Goiás-OVG, e pode virar caso de polícia se confirmada a irregularidade, que vai em desacordo com o programa criado para atender centenas de famílias em situação de vulnerabilidade, com alimentação de qualidade e preço acessível. Segundo a direção do programa, com várias unidades em Goiás, sendo uma delas em ponto estratégico de Aparecida de Goiânia, há catracas, câmeras de monitoramento e demais dispositivos para identificar cada pessoa que acessa as instalações, contando também com profissionais para a detecção de qualquer ação fraudulenta ou atípica.
Portanto, os denunciantes relatam que o esquema funciona da seguinte forma: famílias volumosas ou grupos de pessoas acessam as unidades por meios tradicionais, cada um adquire dois marmitex permitidos pelo programa, posteriormente reúnem, armazenam em caixas de isopor e comercializam com valores bem acima do oferecido pelo programa, obtendo margem de lucro e desviando a finalidade através da indisponibilidade destas refeições para pessoas que realmente necessitam. Além da conduta irregular, apuramos que os fraudadores também promovem a concorrência desleal com demais estabelecimentos comerciais de Aparecida, uma vez que eles vendem os produtos acima do valor oferecido pela OVG, e abaixo do valor oferecido por restaurantes tradicionais, devido não haver nenhum gasto com a preparação das refeições.
“Tem um homem de meia idade que passa aqui na porta da loja todos os dias, vendendo marmitas por dez reais, com direito a um suco ou fruta de brinde, desconfiei por conta do preço e do cardápio ser similar ao do Restaurante do Bem; até que um dia presenciei o mesmo com mais três pessoas na fila de aquisição”, destacou ao Jornal Goiás em Foco a vendedora de calçados do setor Cidade Livre, em Aparecida, que preferiu não ser identificada.
Já para a doméstica e mãe atípica, Rita de Souza, a prática é comum para aquelas pessoas que escolhem não pegar filas: “não acho nada demais, eles estão pegando a fila normal, no lugar de quem não quer pegar, é justo venderem por um preço mais alto- eu já comprei duas de amigos que moram próximos da minha casa, para ajudá-los”.
É preciso destacar que o jornalismo do Goiás em Foco não faz referência ao funcionamento da unidade Restaurante do Bem de Aparecida de Goiânia, que promove um belo trabalho no município, combatendo a insegurança alimentar de centenas de famílias. As denúncias aqui publicadas, são referentes ao mau uso por parte de “alguns” usuários do programa, considerado modelo em todo o Estado de Goiás e até mesmo no Brasil.
Entramos em contato com a direção do Restaurante do Bem, gerido pela Organização das Voluntárias de Goiás-OVG, que emitiu a seguinte nota, veja na íntegra:
NOTA – ORGANIZAÇÃO DAS VOLUNTÁRIAS DE GOIÁS (OVG)
Em resposta à solicitação sobre a unidade do Restaurante do Bem localizada em Aparecida de Goiânia, a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) informa que:
- O Restaurante do Bem tem como público prioritário pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo refeições saborosas, nutritivas e com preço simbólico de R$2 (dois reais).
- O acesso à unidade é feito mediante tíquetes impressos validados na catraca eletrônica por QR Code. Cada pessoa pode adquirir até dois tíquetes, correspondentes a duas refeições individuais (prato feito e/ou marmita), assegurando que todas as famílias atendidas usufruam do serviço de forma justa e igualitária.
- Diante da suspeita, apresentada nesta solicitação, de que algumas pessoas estariam adquirindo grande quantidade de marmitas para revendê-las a preços superiores em outros bairros, a OVG esclarece que essa prática não condiz com as normas internas nem com os princípios que norteiam o Programa.
- Desde a inauguração, a equipe da unidade Jardim Ipiranga realiza fiscalização e controle rigorosos no momento da entrega dos tíquetes, garantindo que cada refeição seja destinada exclusivamente às pessoas em situação de vulnerabilidade que necessitam do atendimento.
- A unidade também conta com monitoramento por câmeras de segurança e com a presença de um fiscal da OVG em tempo integral, responsável por assegurar a observância das normativas de controle. Esses fiscais são supervisionados por coordenação própria e participam continuamente de capacitações.
- O sistema da unidade possui duas camadas principais de verificação: a primeira no ato da venda dos tíquetes e a segunda no acesso ao restaurante, ambas realizadas por meio de software de controle. Esses mecanismos, somados à fiscalização presencial e ao videomonitoramento, tornam inviável a ocorrência de práticas irregulares, como a revenda de refeições.
- Caso a prática venha a ser constatada, a OVG adotará todas as medidas legais cabíveis, incluindo responsabilização por apropriação indevida de bens destinados a programas sociais e responsabilização funcional, conforme previsto na legislação penal e civil vigentes.
- A OVG reforça que o Restaurante do Bem de Aparecida de Goiânia segue adotando altos padrões de segurança e controle, garantindo um serviço digno, seguro e transparente para todos que dele necessitam.
- Desde 2019, as 17 unidades em funcionamento no Estado já serviram mais de 23,2 milhões de refeições, com investimento total de R$ 166,7 milhões. A unidade de Aparecida de Goiânia permanece comprometida em oferecer alimentação acessível às pessoas em situação de vulnerabilidade social, sem interrupções no atendimento.
Organização das Voluntárias de Goiás (OVG)
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