Segundo última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, 6,6% da população não é alfabetizada, tendo uma pequena queda de 0,2%, comparado ao ano de 2018, dados da pesquisa feita pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação. Mesmo que este número tenha caído um pouco nos últimos anos, é notório que essa estatística ainda é grande, sendo 11 milhões de brasileiros acima dos 15 anos que não são alfabetizados.
O filósofo e escritor brasileiro, Mário Sérgio Cortella, diz que o analfabetismo não é de escolha da pessoa, mas sim pela ausência de possibilidade e do acesso, que muitas vezes julgamos o outro por não saber ler ou escrever, o famoso ditado "seu analfabeto", mas vale ressaltar que essa condição talvez não seja uma escolha da pessoa, mas sim por não ter acesso aos estudos e conhecimento.
A pedagoga e pós-graduada em alfabetização e letramento, Vanderlange da Silva Medeiros, destaca que a desigualdade social é o principal motivo do grande número de analfabetos. Para ela, tanto a leitura, quanto à escrita, são habilidades indispensáveis e que se forem trabalhadas de acordo a função social de cada um, tem grande contribuição no processo de alfabetização.
Bruna Deviatavski Albea Borges, pedagoga e pós-graduada em psicopedagogia destaca que a qualidade da educação seja o motivo pelo qual ainda tem grandes números de analfabetos no país, “Acredito que o numero tão alto seja o reflexo da qualidade da educação nos dias atuais, evasão escolar, falta de acompanhamento dos pais e responsáveis e políticas de não- reprovação/retenção dentro das escolas”.
PAPEL DOS PAIS
O papel dos pais durante o processo de alfabetização é de grande importância, pois o incentivo de casa faz com que a criança busque se aprimorar e ter interesse à escrita e leitura.
“A criança precisa de estímulos para se desenvolver e os pais colaboram para isso com um ambiente onde haja interação através de brincadeiras, onde a leitura e a escrita estejam presentes, ler histórias com frequência para seus filhos e tirar proveito da tecnologia com jogos educativos, ajuda neste processo”, destaca Vanderlange.
MELHORIAS
A qualidade do ensino nas escolas públicas do país ainda enfrenta grandes dificuldades e a falta de recursos faz com que ocorram interferências no processo de aprendizagem. Para Bruna, essa qualidade pode ser melhorada através de formação continuada aos professores alfabetizados e suporte financeiro aos pais de crianças neste processo, para que haja acompanhamento integral de um deles.
Bruna também reforça a importância do papel do educador em formação de alfabetizar alguém, “Acredito que para alfabetizar alguém é necessário toda uma técnica. Sendo assim, uma dica seria desenvolver profissionais da educação para que se tornem excelentes alfabetizadores”. Também destaca que à prática da leitura e escrita são grandes estratégias de ensinamentos que podem favorecer a alfabetização.
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