O cenário político goiano para 2026 vive um momento de forte movimentação e reconfiguração de alianças. As articulações envolvem tanto a disputa pelo Palácio das Esmeraldas quanto as vagas ao Senado. O governador Ronaldo Caiado concentra esforços na sucessão estadual, sem deixar de lado seu projeto de projeção nacional.
No último dia 14, o tabuleiro sofreu um movimento relevante. Com respaldo do presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e aval do ex- presidente Jair Bolsonaro, o senador Wilder Morais consolidou-se como pré- candidato ao Governo de Goiás pelo PL. A decisão reorganiza o campo da direita no estado.
Até pouco tempo, o deputado federal Gustavo Gayer defendia uma composição com o projeto de Daniel Vilela. O cenário agora indica afastamento. O plano de Gayer de disputar o Senado com apoio do núcleo governista perdeu sustentação com a candidatura própria do PL. Ainda assim, ele mantém seu projeto ao Senado, mas sem a estrutura vinculada ao governo estadual. Nas redes sociais, o deputado Eduardo Bolsonaro reforçou o apoio a Wilder, fortalecendo a unidade do campo bolsonarista.
Pelo lado governista, aliados do vice-governador e pré-candidato ao governo Daniel Vilela reconhecem a força do PL, mas reforçam que a prioridade é dar continuidade ao modelo administrativo atual, destacando as entregas e os serviços prestados à população como eixo central da narrativa eleitoral. A estratégia também busca evidenciar o legado de seu principal apoiador, o governador Ronaldo Caiado. Nesse contexto, a pre-candidatura de Wilder impõe novos desafios ao projeto do vice-governador, que deverá recalibrar alianças e ampliar o diálogo para consolidar sua base política.
Nos bastidores, já se avaliam cenários e possibilidades de segundo turno, inclusive diante do ex-governador Marconi Perillo, onde o posicionamento do PL poderá ser decisivo. O desenho da chapa majoritária começa a ganhar novas possibilidades.
Para ocupar a vaga de vice na chapa de Daniel Vilela, surgem nomes como o presidente da Assembleia, deputado Bruno Peixoto, o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, e o presidente da Agehab, Alexandre Baldy. Também são citados o Secretário Adriano da Rocha Lima, o ex deputado José Mário Schreiner, ex senador Luiz do Carmo e ex prefeito de Rio Verde Paulo do Vale.
Para o Senado, uma vaga é dada como certa para primeira dama do estado Gracinha Caiado. A segunda, antes vista como espaço do PL, volta ao centro
das negociações. O senador Vanderlan Cardoso ganha força, enquanto Gustavo Mendanha e Alexandre Baldy também entram no radar.
Enquanto isso, Marconi Perillo mantém presença ativa. O ex-governador lançou uma plataforma digital para reunir sugestões da população e estruturar seu plano de governo. A iniciativa surgiu após viagens pelo interior, onde a equipe identificou demandas recorrentes que chegavam de forma dispersa. A proposta é organizar essas contribuições e transformá-las em diretrizes políticas.
Marconi defende que o plano deve refletir tanto estudos técnicos quanto a escuta popular. Apoiado em sua experiência como deputado, senador e governador por quatro mandatos, sustenta que o momento é de ampliar alianças e apresentar um projeto viável para o estado, aguarda a definição da pre candidatura ao senado de atual deputado Dr. Zacarias Calil.
No campo da esquerda, o Partido dos Trabalhadores discute nomes como do vereador por Goiânia Edward Madureira, do advogado Valério Luís, do jornalista Cláudio Curado e do ex deputado Luís César Bueno. A definição deve ocorrer em diálogo com partidos da chamada Frente Progressista, como PV, Cidadania, PCdoB, Rede e PSOL.
Outro fator relevante é o Partido Socialista Brasileiro, agora sob comando da vereadora Aava Santiago em Goiás. A direção nacional deixou claro que as decisões no estado passam por ela. Assim, eventual apoio a Marconi, Daniel ou a um nome do PT dependerá da articulação local.
Há pouco menos de seis meses das convenções partidárias, 20 de julho a 05 de agosto, o cenário ainda permanece em construção.
As movimentações observadas até aqui indicam um processo de reorganização das forças políticas no estado, com alianças sendo revistas e estratégias recalculadas. Mais do que definições antecipadas, o momento exige leitura atenta dos próximos movimentos. Em Goiás, a sucessão estadual tende a ser definida menos por anúncios públicos e mais pela capacidade de articulação, composição nos bastidores e pela criteriosa definição da equipe de coordenação de campanha.
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